QUEM SOMOS NÓS?

O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?

terça-feira, 15 de setembro de 2015

QUEM É VOCÊ ?


QUEM É VOCÊ

O grande problema das coisas
O grande problema de tudo é que eu não cabia
Eu não cabia nos lugares
Eu não cabia nas pessoas
Eu não cabia nem em mim
Nem
Em
Mim...
Mim...

Era uma espécie de sobra, esborrotamento, fluidez..
E fui não cabendo até que percebi que não caber era de minha natureza
Eu era o ´´não caber``
O todo
O sobrar
O extenso
O escapadiço
O fugidio

E quando ninguém podia me pertencer,
Percebi que eu tinha que entrar
Eu tinha que mergulhar em mim
Porque se não havia espaços laterais
Não me restava um dúvida sequer, a menor dúvida
Que o que eu tinha era profundidade
É tão denso esse mergulho que me causa sufocamento
É tão escuro que não existem portas; que não há luz

Eu não tinha arestas
Nem horizontal
Era vertical, uma moça vertical e inclinada
Declinada em si

E se antes eu não cabia
Agora , eu só poderia mergulhar e percorrer essa vasta e infinita escuridão
E tudo que me ocorre é simples, complexo, fatídico, prazeroso, mórbido, orgasmático.
Eu só estou desaparecendo...
Desaparecendo....
Aparecendo...
Sendo...

_ Eliane Vale.

3 comentários:

  1. Excelente o texto. Realmente quando nós não cabemos em nós mesmas , dai tomamos atitudes.

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  2. Excelente o texto. Realmente quando nós não cabemos em nós mesmas , dai tomamos atitudes.

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  3. Perfeitos os seus versos, me identifiquei com o não caber Leda

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