Você nunca vai me contar todos os seus segredos,
E eu sempre vou ter um medo reservado que me impedirá de me dar cruamente para você .
Não vamos conseguir ficar transparentes, porque ficar assim , dói.
E não queremos doer, não queremos...
Mas como sentir tudo que podemos sentir sem dar tudo de si, tudo que temos?
Que caminho sem volta...
Que caminho sem volta ...
Doemos ou não?
Se você arrancar meu coração, eu tenho dois segredos para dizer:
Eu tenho outro coração na escuridão, aquele que fica em segredo;
E também arranco sua alma até que sangre.
Consegue lidar com animais selvagens?
Consegue?
Já experimentou animais selvagens?
E se eu fugir repentinamente, desaparecer e fizer tudo errado, não é porque desisti, é porque eu não suportaria sentir mais do que eu estava sentindo.
Eu não tinha opção: eu tinha que fazer tudo errado para matar você dentro de mim.
Não tente me domar, é em vão.
Animais possuem garras e quando se sentem acuados, infelizmente, fazem duas coisas: ou fogem, ou avançam, e em qualquer dessas opções, machucam.
Se não puder sangrar, não venha.
Porque todo selvagem fica sem a pele, mas não desiste no ápice da luta.
Somente paramos, animais selvagens, somente param quando morre cada força.
Vingança? Não, não é.
É o desejo intenso de levá-lo a tudo que consigo sentir;
É o desejo que você queime tanto quanto eu.
Eu nunca prometi que seria eterno, mas eu também nunca prometi que não te mataria.
Eliane Vale.

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