QUEM SOMOS NÓS?

O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?

sábado, 19 de setembro de 2015

Eu sou apenas eu em mim










Quando estamos no nosso próprio caminho, quando estamos em busca de nós mesmos e nos embrenhamo-nos no espaço do eu e de todos os sentidos que ele carrega, o outro deixa de ser extensão, necessidade.

Quando finalmente é possível compreender o quanto somos importantes, importantes apenas em nós, dentro de nós e, ao mesmo tempo, temos a total consciência de que somos desimportantes e desnecessários para o mundo e para o outro, o que se adquire é um desejo genuíno e prazeroso de se pertencer; é um ato quase egoísta.

Quando vamos avançando no conhecimento de que somos muito pouco, muito reles e que essa pequenez é o que possuímos, e que essa efemeridade é a marca indelével deste corpo pútrido, a urgência para ser é uma ditadura.

Quando se chega nesse ponto_ que nada palpável é eterno, mas que algo em nós pode ser_ muitas coisas ganham sentido, e outras perdem completamente.
A nossa materialidade é incrivelmente substituível e volátil, mas existe algo em nós que pode transmutar.

Pertençam-se! Pertençam-se profundamente e nada poderá lhes faltar, pois estamos em uma viagem com um único passageiro; incrivelmente sós, incrivelmente individualizados e únicos.

_ Eliane Vale

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