Quando estamos no nosso próprio caminho, quando estamos em busca de nós mesmos e nos embrenhamo-nos no espaço do eu e de todos os sentidos que ele carrega, o outro deixa de ser extensão, necessidade.
Quando finalmente é possível compreender o quanto somos importantes, importantes apenas em nós, dentro de nós e, ao mesmo tempo, temos a total consciência de que somos desimportantes e desnecessários para o mundo e para o outro, o que se adquire é um desejo genuíno e prazeroso de se pertencer; é um ato quase egoísta.
Quando vamos avançando no conhecimento de que somos muito pouco, muito reles e que essa pequenez é o que possuímos, e que essa efemeridade é a marca indelével deste corpo pútrido, a urgência para ser é uma ditadura.
Quando se chega nesse ponto_ que nada palpável é eterno, mas que algo em nós pode ser_ muitas coisas ganham sentido, e outras perdem completamente.
A nossa materialidade é incrivelmente substituível e volátil, mas existe algo em nós que pode transmutar.
Pertençam-se! Pertençam-se profundamente e nada poderá lhes faltar, pois estamos em uma viagem com um único passageiro; incrivelmente sós, incrivelmente individualizados e únicos.
_ Eliane Vale

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