QUEM SOMOS NÓS?

O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?

domingo, 20 de setembro de 2015

O estranho que habita em mim




                             
De repente, numa manhã qualquer, acordei.
Quando fitei meu rosto no espelho como de costume, 
não vi minha imagem ali refletida.
Eram pares de olhos assustados, um rosto esguio 
e o gosto na boca que a imagem não revelava,
 não era doce nem amargo, era tão-somente insípido.

Onde estava perdida minha identidade?
Em que espelho? Em que tempo?
Só agora me dei por essa mudança.

Quando a aurora preludiu um novo amanhecer, 
caminhei a passos lentos e incertos em direção ao espelho. 
Estava eu temeroso com a imagem que o objeto mostrar-me-ia.
Meu corpo estremeceu.
Vislumbrei, desta feita, o sorriso de um garoto faceiro
A alegria que resvalava de seu semblante era tanta,
que quase conseguia ouvir o burburinho de sua gargalhada.
Era a minha imagem, de um sorriso que esbocei na infância.

Eu, enfim, reinventei-me
e foi em meio ao distanciamento entre mim e minha essência,
depois de tanto me perder, me subtrair, me amputar,
que eu me reencontrei.
Durante muito tempo, portei-me feito máquina e é aí que a alma padece.


(Ana Karla Farias).

Nenhum comentário:

Postar um comentário