QUEM SOMOS NÓS?

O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?

domingo, 20 de setembro de 2015

Palavras



Ferem de modo fulminante e a dor chega a ser pungente, mas além da face sórdida, do gosto amargo, as palavras quando proferidas podem fazer pés sobrevoarem às nuvens e reabilitar moribundos.

O poeta mineiro já alertava para suas artimanhas, elas têm mil faces secretas sob a face neutra.

Para descobrir é preciso aceitar o desafio de penetrar no seu reino.

Assim como moedas e como o ser humano, as palavras possuem dois lados.

Um deles pode ser dócil, curar feridas, levar luz onde há escuridão tenebrosa, revigorar
um tronco murcho, fazendo-o florescer em terras secas.

 A velha rosa que mesmo sem beleza brota do asfalto.

Mas ainda assim é uma rosa com toda sua doçura. 

O outro lado, ah esse, pode ser impiedoso.

Não ameniza o frio gélido e nem ilumina.

É preciso que as gritem e as expressem pelos cantos para que as palavrinhas
saiam do seu estado estático e de sua mudez.

Quietas e reprimidas como no dicionário, elas não causam impacto, estragos ou absolvição.
Bastando saírem do papel ou do pensamento para ganharem liberdade, algumas quando muito profundas se eternizam, pois ficam infinitamente gravadas no coração.

Ana Karla Farias.

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