QUEM SOMOS NÓS?

O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A MULHER




Não era a beleza;
Não era o corpo estremecido;
Não eram os gestos;
Não era o andar.
Não era a selvageria

Não era o impulso
Ou a corrida
Nem o salto
Nem a subida

Nem a dor
Nem a partida
Nem o vai-e-vem
Nem a pressão concedida

Não era a energia
Nem a fugida
Nem o mal disfarçado
Nem o bem à luz do dia

Nem ao menos era santa
Ou maldita
Era outra coisa... Outra coisa!!!
A COISA!!!
Ela ainda não tinha nome;
Mas me engolia.

Eliane Vale.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Cheia de si






Por que repousas em mim um olhar distante de desdém?

Tu sempre foste fria e cheia de si, não é mesmo?!

Nem podes te queixares de que vives solitária e contemplativa.

Fica-te com teu brilho, majestosa emoldurando o céu

Eu, de minha parte, quedarei-me bem aqui

embaixo

inerte

pequeno

anoiteço-me e só.



 por Ana Karla Farias.

domingo, 22 de novembro de 2015

Os dados de Deus.


Eu, agora há pouco, estava em um lugar.

Estava junto a amigos.

Lá, minha presença exercia um impacto, uma força, uma alteração 
naquele ambiente.

Mas, agora, naquele ambiente, estou morta.

Sou ausência.

Nada tenho parte.

E como saber se minha ausência exerce ainda alguma 
impressão?...

Em alguns momentos, a nossa ausência causa. A nossa ausência,
 em alguns momentos, é ativa!

Em outros momentos, é um nada, o nada!!!


Mas eu, agora, já causo ou não causo em outro momento, em outra
 pessoa
.
Agora, eu causo aqui; agora, causo em nós.