QUEM SOMOS NÓS?

O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?

sábado, 24 de outubro de 2015

EU NÃO SOU FELIZ EM PEQUENAS OU COM POUCAS COISAS





É impressionante o quanto passamos a vida inteira repetindo frases, palavras sem sentido algum. Coisas que não possuem nexo, mas que soam igualmente a axiomas, quase. Sentei-me para o ato da escrita, peguei uma taça de vinho, geralmente a que me acompanha às Sextas-Feiras, e estava disposta a escrever sobre o quanto somos capazes de ser feliz em pequenas coisas, com poucas coisas.

De súbito, um sentimento questionador me invadiu e, antes de eu refutar uma verdade que me escravizava há muito tempo, pesquisei em alguns dicionários o significado para três palavras. Abaixo, deixo-as para análise:
Pouco: em pequena quantidade;
Pequeno: que é feito em limitada escala;
Felicidade: êxtase, intensa alegria.

Depois dessa rápida pesquisa, o que percebi foi uma incongruência milenar. Não, eu não era feliz em pequenas coisas; eu não ficava feliz com pequenas coisas. As coisas que me deixavam feliz não eram nem pequenas, nem poucas. Elas eram tão completas, tão integrais, tão intensas e extensas dentro de mim que jamais poderiam ser consideras de pouca quantidade. Essa era a incongruência a que me referia. Repito: não havia pequenez, não havia apoucamento em tudo que me fazia feliz ou que me faz feliz.

Mas, não posso negar, e era esta a divergência que havia entre eu e o mundo, que o que me fazia feliz, intensamente transbordada eram situações simples.
O que me fazia feliz, intensamente feliz era compartilhar qualquer sentimento, qualquer situação que me arrancasse um choro de emoção, uma alegria inesperada, um estado espiritual de puro agradecimento pela vida e por estar viva, também a paz interior. Não havia nisso nada de limitado, escasso. Tudo era dado em esborrotamento.  Tudo derramava-se!

Reparem que a felicidade não é tímida, não pode ser tímida. A felicidade, um sentimento de intensa alegria, não pode caber em uma coisa menos do que ela. Prestem bem atenção: o mundo é feito sob leis universais perfeitas e, entre elas, não existe vazão do que é grande pelo o que é pequeno. Já lhes disse: o maior não cabe no menor, não cabe! Para brotar o que é grandioso, originalmente o fruto também virá de algo grandioso, pode ser simples, na maioria das vezes é simples, porém não é pequeno, reles. E simples, meus caros amigos, quer dizer apenas que não é preciso que seja muito engendrado, complexo, exclusivo. Percebam que não existe uma relação do que é simples com o que é reles, baixo ou desprezível. A definição do que se é simples é  apenas dizer o que é natural, comum e potencialmente encontrável nas mais variadas situações. Vejam que o valor  do simples é justamente o fato de ele ser possível a todos nós,  a qualquer momento.


Diante disso, percebi que era impossível eu ser feliz em pequenas coisas. Sou indisposta  a coisas pequenas e poucas, mas as simples, as inocentes, as singelas, as comuns são as que me comprazem.

Eliane Vale

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