E se os olhos são as janelas da alma, então, a proposta é desenhar janelas para que almas saltem.
QUEM SOMOS NÓS?
O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?
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sábado, 2 de janeiro de 2016
Da paixão
A sua pele era minha segunda roupa que me cobria com lascívia suficiente para que o mundo se acabasse ali mesmo, apenas com nós dois.
Um mundo ilimitado por dogmas ou códigos. Era de pura paixão que a nossa cadência sensual se constituía. E que em outros abraços e bocas não poderíamos encontrar, ainda que andássemos em busca de esquecer a nós mesmos, de nos esquecer o quanto éramos únicos e completamente especiais.
Não havia nada como nós. Era do nosso suor, ritmo e completude de que precisávamos.
sábado, 24 de outubro de 2015
EU NÃO SOU FELIZ EM PEQUENAS OU COM POUCAS COISAS
É impressionante o quanto passamos a vida inteira repetindo
frases, palavras sem sentido algum. Coisas que não possuem nexo, mas que soam
igualmente a axiomas, quase. Sentei-me para o ato da escrita, peguei uma taça
de vinho, geralmente a que me acompanha às Sextas-Feiras, e estava disposta a
escrever sobre o quanto somos capazes de ser feliz em pequenas coisas, com
poucas coisas.
De súbito, um sentimento questionador me invadiu e, antes de
eu refutar uma verdade que me escravizava há muito tempo, pesquisei em alguns
dicionários o significado para três palavras. Abaixo, deixo-as para análise:
Pouco: em pequena quantidade;
Pequeno: que é feito em limitada escala;
Felicidade: êxtase, intensa alegria.
Depois dessa rápida pesquisa, o que percebi foi uma
incongruência milenar. Não, eu não era feliz em pequenas coisas; eu não ficava
feliz com pequenas coisas. As coisas que me deixavam feliz não eram nem
pequenas, nem poucas. Elas eram tão completas, tão integrais, tão intensas e
extensas dentro de mim que jamais poderiam ser consideras de pouca quantidade.
Essa era a incongruência a que me referia. Repito: não havia pequenez, não
havia apoucamento em tudo que me fazia feliz ou que me faz feliz.
Mas, não posso negar, e era esta a divergência que havia
entre eu e o mundo, que o que me fazia feliz, intensamente transbordada eram
situações simples.
O que me fazia feliz, intensamente feliz era compartilhar qualquer
sentimento, qualquer situação que me arrancasse um choro de emoção, uma alegria
inesperada, um estado espiritual de puro agradecimento pela vida e por estar
viva, também a paz interior. Não havia nisso nada de limitado, escasso. Tudo
era dado em esborrotamento. Tudo
derramava-se!
Reparem que a felicidade não é tímida, não pode ser tímida.
A felicidade, um sentimento de intensa alegria, não pode caber em uma coisa
menos do que ela. Prestem bem atenção: o mundo é feito sob leis universais
perfeitas e, entre elas, não existe vazão do que é grande pelo o que é pequeno.
Já lhes disse: o maior não cabe no menor, não cabe! Para brotar o que é grandioso,
originalmente o fruto também virá de algo grandioso, pode ser simples, na
maioria das vezes é simples, porém não é pequeno, reles. E simples, meus caros
amigos, quer dizer apenas que não é preciso que seja muito engendrado,
complexo, exclusivo. Percebam que não existe uma relação do que é simples com o
que é reles, baixo ou desprezível. A definição do que se é simples é apenas dizer o que é natural, comum e
potencialmente encontrável nas mais variadas situações. Vejam que o valor do simples é justamente o fato de ele ser
possível a todos nós, a qualquer
momento.
Diante disso, percebi que era impossível eu ser feliz em
pequenas coisas. Sou indisposta a coisas
pequenas e poucas, mas as simples, as inocentes, as singelas, as comuns são as
que me comprazem.
Eliane Vale
Eliane Vale
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