QUEM SOMOS NÓS?

O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Aurora



 A moça de mãos habilidosas, delicadas, porém firmes; sentou-se ao tear. Fez dali sua morada perene. Não lhe ocorria nem mesmo espreitar da janela, se lá no horizonte se desenhava o clarão do dia ou a escuridão da noite.


 A moça somente tecia e, assim seguia, cosendo os seus dias. Por vezes, entristecia-lhe a solidão que o trabalho exaustivo lhe impunha. Outras, apetecia em seu peito, a necessidade premente de sentir-se feliz. Quando a névoa despontava, ela, então, tecia fios de luz mais dourados do que o sol.


 O frêmito que emanava dos pentes do tear era o único som que lhe vinha fazer companhia nas noites tardias. Minuciosamente, Aurora envolvia entre seus dedos os fios finos. Eram vogais que se emaranhavam a consoantes, pontos e acentos gráficos. 


De fio em fio, palavras soltas em estado de dicionário formavam orações e períodos. Aos poucos, elas compunham um manto cheio de cores vibrantes e diversas. Embaralharam-se tanto que ganharam significados, sentidos e vida. O tecido estava pronto. Uma nova aurora, agora, surgia no horizonte.


 

por Ana Karla Farias.


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