QUEM SOMOS NÓS?

O “Entendeu ou quer que eu desenhe?” fora idealizado por Eliane Vale, servidora pública e acadêmica de Contábeis e Ana Karla Farias, jornalista por formação e acadêmica de Direito, tendo como intuito transportar a ideia de um sarau, que congrega diversas expressões artísticas, para um blog. Haja vista, que em nossa cidade, Caicó/RN, há uma carência de meios de comunicação atrelados à cultura, e sobretudo, à literatura, esta tão imprescindível para a natureza quixotesca do homem. Amigas desde a infância, colegas de escola, eu (Ana Karla) e Eliane construímos uma amizade alicerçada no mármore, que nem os tempos e distâncias apagam. Nosso apreço pela literatura nasceu em meio às idas assíduas à biblioteca de uma escola pública, da qual éramos alunas. Quanto mais ficávamos rodeadas por aquele acervo, mais intenso era o desejo de ali permanecer. Foi, então, que descobrimos o reino fascinante das palavras. Era preciso conviver com o taciturno e solidão de presença humana para ouvir o convite que as palavras, ali estáticas, impressas nos livros, balbuciavam. Como bem disse o poeta maior, elas provocavam: - “Trouxeste a chave?”. Depois de nos tornarmos leitoras, passamos a nos aventurar na escrita. E novamente as palavras nos instigavam a desafiar o papel em branco: “- Aqui estão os poemas que esperam ser escritos. Trouxeste a chave?”. Sucumbimos à tamanha sedução. Depois dos rumos distintos que nossas vidas tomaram, moramos distantes, perdemos o contato. Mas, a literatura uniu-nos novamente. Desta feita, com o objetivo de alimentarmos de versos, desenhos e sonhos, este blog. Agora, lançamo-lhe o desafio, caro internauta, trouxeste a chave?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

APENAS MAIS UM GOLE




Ela sempre trazia a minha cama, uma taça de um líquido insípido
Nunca soube ao certo o que era
Não ousei perguntar
De um modo tão terno e sutil, ela me ordenara a beber
Eu somente obedecia.

Comecei a degustar com parcimônia,
somente contidos goles
Gra-du-al-men-te estava entorpecido
Não poderia dizer que estava bêbado
Não! Aquilo não era o efeito narcotizante de álcool
Eu estava sóbrio, mas ao mesmo tempo, ébrio.

-Bebe! Resta apenas um copo
Ela proferia em tom de autoridade
Não fiz objeções, não quis relutar
Virei o copo e tomei até a última gota.

Senti que algo em mim esvaecia,
deixava de pulsar.
Cianureto, arsênico...
Uma espécie de veneno parecia arrancar-me a vida.

Quando estava estendido sobre a cama,
feito um moribundo.
A tez pálida, os lábios arroxeados,
ela se aproxima e sussurra em meu ouvido:
- Não estás morrendo, só estou matando o que havia de mim em ti.



Por Ana Karla Farias.







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