Ela sempre trazia a minha cama, uma
taça de um líquido insípido
Nunca soube ao certo o que era
Não ousei perguntar
De um modo tão terno e sutil, ela me
ordenara a beber
Eu somente obedecia.
Comecei a degustar com parcimônia,
somente contidos goles
Gra-du-al-men-te estava entorpecido
Não poderia dizer que estava bêbado
Não! Aquilo não era o efeito
narcotizante de álcool
Eu estava sóbrio, mas ao mesmo tempo,
ébrio.
-Bebe! Resta apenas um copo
Ela proferia em tom de autoridade
Não fiz objeções, não quis relutar
Virei o copo e tomei até a última
gota.
Senti que algo em mim esvaecia,
deixava de pulsar.
Cianureto, arsênico...
Uma espécie de veneno parecia
arrancar-me a vida.
Quando estava estendido sobre a cama,
feito um moribundo.
A tez pálida, os lábios arroxeados,
ela se aproxima e sussurra em meu
ouvido:
- Não estás morrendo, só estou
matando o que havia de mim em ti.
Por Ana Karla Farias.


Nenhum comentário:
Postar um comentário